Dia normal... Eu estava fazendo minhas coisas como de costume. Lavando a louça do café da manhã quando um copo escorregou da minha mão e espatifou-se na pia. Fiquei olhando o movimento que a água fazia ao chocar-se nos pedaços de vidro e o quanto brilhava cada pequena parte daquele copo. Vidro... Várias coisas passaram pela minha cabeça em questão de segundos, quando então comparei um material qualquer às pessoas. O brilho fica tão bonito nelas, mesmo quando quebradas. O mais engraçado é que assim como o vidro, as pessoas em pedaços são muito mais perigosas, prontas para cortar quem ousar mexer com elas. Tão lindas, tão diferentes e compostos por um mesmo esquema. Algumas são mais resistentes, enquanto outras são mais frágeis. Uns não brilham tanto, enquanto outros exalam iluminação por aí. Talvez fosse só algumas semelhanças, mas não. O vidro tem que ser cuidado e mantido em mãos de quem tem capacidade para zelar por ele, caso contrário pode tornar-se uma arma, pode ser altamente perigoso. Vão dizer que é paranoia da minha cabeça, mas aquele simples copo quebrado me levou à situações recentes, ultrapassadas e que ainda virão. Algumas vezes somos quebrados como vidro, outras somos zelados, um dia perigosos, outro frágeis demais, semana que vem lindos e brilhosos, mês que vem vazios e sem utilidade. Apesar de muitas semelhanças, o que nos difere é o que nos torna melhores. O vidro pode ser o que nós quisermos que ele seja. Copo, prato, taboa, mesa, janela, porta, lustres, enfeites de todos os tipos. Enquanto nós, podemos ser o que quisermos ser, sem que ninguém escolha ou faça por nós. Ser dependente e pensar por si mesmo é ser livre, mas nem toda matéria tem opção de escolher pensar por si e as que tem nem sempre fazem a escolha certa.


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